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#Artigo

Como falar de eleições com as crianças

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Foto: iStock

Entramos em um período em que as discussões eleitorais ganham mais espaço nos veículos de comunicação e nas redes sociais. Pensar que as crianças e os jovens estarão alheios a isso é totalmente ilusório. Ao mesmo tempo, saber do inevitável contato com o tema pode parecer assustador. Ilusório porque eles são, naturalmente, seres curiosos que estão inegavelmente conectados. Assustador ao lembrarmos que apenas uma pequena parcela deles sabe diferenciar fato de opinião* e checar a veracidade das fake news.

Então, nada mais seguro do que nós, adultos, ajudarmos a inseri-los nesse contexto e apontarmos os melhores caminhos. Claro, a ideia não é, de forma alguma, fazê-los participar do Fla-Flu que toma conta do nosso país, mas explicar conceitos de forma clara, acessível e, sobretudo, prazerosa (para que não cresçam odiando a política).

Nota-se que a própria Constituição, em seu artigo 205, diz que a educação, seja por parte da família, seja por parte da escola, tem que ser “incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania”. Ora, como é sabido, as eleições nada mais são do que o pleno exercício da cidadania. Portanto, exercê-la deveria fazer parte do cotidiano de todos, de todas as idades.

Para começar, livros e vídeos são raros, mas com uma busca robusta é possível achar material de qualidade. O jornalismo feito para a faixa etária também pode ser um aliado importante. Com linguagem adequada, recursos multidisciplinares e visual atraente, as crianças tendem a entender mais facilmente que as eleições não estão tão
distantes quanto imaginam. Afinal, mudanças próximas, como a reforma da pracinha, ou decisões mais afastadas, como um benefício social, afetam diretamente as famílias.

Além disso, promover debates e incentivar a capacidade crítica são pontos que devem acontecer desde cedo e podem ajudar no processo de compreensão das eleições – mais uma vez aqui o jornalismo pode ser usado como ferramenta. Assim, as chances de esses jovens chegarem à idade adulta sabendo da importância do voto é significativamente maior.

Por sua vez, de maneira prática nas escolas, as eleições podem permear diversas competências gerais previstas na Base Nacional Comum Curricular. Por exemplo, por meio de atividades relacionadas à argumentação com base em dados e informações confiáveis, para formular e defender ideias que promovam os direitos humanos e a empatia.

Atividades que valorizem a abordagem própria das ciências, incluindo a investigação e a análise crítica também são importantes. Além disso, utilizar diferentes linguagens, como a verbal, tabelas e gráficos pode ajudar a entender todo o processo eleitoral.

Por fim, em casa, os pais devem tentar deixar clara a importância do exercício do voto e fazer do dia das eleições um momento em família. Ou seja, ajudar na compreensão de todo o processo eleitoral, desde o conhecimento sobre os candidatos até a hora de apertar o botão nas urnas, depende de uma boa formação, e é algo que deve ser incentivado e aprimorado desde cedo.

*9% dos alunos de 15 anos dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sabem diferenciar com sucesso fatos de opiniões. (21st-Century Readers DEVELOPING LITERACY SKILLS IN A DIGITAL WORLD)

Maria Clara Cabral, jornalista, tem pós-graduação em Comunicação Integrada e Marketing. É fundadora da revista Qualé

Fabrícia Peixoto, jornalista, doutoranda em Administração de Empresas pela FGV-EAESP, com pesquisas sobre consumo e desinformação. É fundadora da revista Qualé

 

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