Brasil
ComuniQ 2025 levanta debates urgentes sobre educação midiática
Iniciativa da Qualé aborda temas como uso das telas e o protagonismo infantojuvenil
A terceira edição do ComuniQ chegou ao fim com assuntos importantes no radar. A iniciativa da Qualé, cujo objetivo é o de promover o diálogo, o pensamento crítico e o protagonismo infantojuvenil no campo da comunicação, teve como ações, em 2025, duas lives com especialistas e o lançamento de vídeo sobre as fake news. Todo o conteúdo pode ser acessado no YouTube.
Entre os temas conversados estão a importância da formação e mediação dos professores, a inclusão da Educação Midiática na grade curricular, a participação ativa das crianças e jovens no ‘fazer notícia’ e as novidades da comunicação no mundo digital. O ComuniQ 2025 aconteceu em sintonia com a Semana Global de Alfabetização Midiática e Informacional da Unesco e a 3ª Semana Brasileira de Educação Midiática.
“Debater a importância da Educação Midiática em época da Inteligência Artificial é crucial, já que as novas tecnologias redefinem a forma como consumimos e criamos conteúdo. Por isso, formar pensadores críticos, atentos e conscientes se faz ainda mais necessário”, analisa Maria Clara Cabral, diretora da revista.
MUNDO DIGITAL
Para a jornalista Januária Alves é essencial aprender e ensinar sobre o relacionamento com as mídias em um mundo cada vez mais ‘figital’ (mistura de físico e digital). “Inclusive entender como seu modelo de negócio influencia”, explica a educomunicadora, que está lançando gibi da Turma da Mônica Jovem que fala sobre o uso equilibrado das telas. É uma iniciativa da Redes Cordiais, em parceria com o YouTube e a MSP Estúdios. “Estar conectado é um direito, então a questão é: como a gente ensina as crianças e jovens a navegar na internet? É preciso oferecer um repertório, regularizar o uso. Teremos o ECA Digital, inclusive.”
CURRÍCULO OBRIGATÓRIO
Sobre a inclusão da Educação Midiática no currículo obrigatório, Januária afirma ser um avanço. “É bom, porque os professores vão precisar levar ‘a vida’ para a aula, acredito na criatividade deles. Por outro lado, o educador pede por uma formação mais robusta.” A coordenadora pedagógica da Qualé, Claudia Gabionetta, acredita que a Educação Midiática ajuda a complementar o ensino. “O professor precisa ter uma intencionalidade pedagógica. Quando ele olha para o que está acontecendo no mundo e consegue relacionar com os conteúdos que já precisa trabalhar, torna o ensino mais significativo.”
‘FAZEDORES’ DE NOTÍCIA
Carlos Lima, criador do Imprensa Jovem, falou sobre a importância de colocar as crianças e jovens à frente das notícias. Este ano, o projeto, que estimula os estudantes da rede pública de São Paulo a protagonizarem a comunicação, completa 20 anos com 400 escolas e cerca de 8.000 participantes atualmente, incluindo as versões mirim e 60+. “Mais do que Educação Midiática, o projeto garante que todos tenham um espaço de inclusão e que aprendam algo muito importante: aprender a perguntar!”, conta. “Tudo isso são estímulos para que a criança desenvolva habilidades como oralidade, escrita, leitura e compreensão de texto. Ela aprende a se comunicar, se colocar em público, fica potente, se empodera para a vida”, complementa Claudia Gabionetta.
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